Democracia se faz com Estado laico e Justiça Social
A.F. MARCOSUR
O Estado precisa garantir serviços de saúde que assegurem os
direitos reprodutivos da população
Frente ao debate sobre a responsabilidade do Estado brasileiro
para com os graves problemas e conseqüências do aborto clandestino
no Brasil, as organizações abaixo vêm a público reafirmar o seu
compromisso com a defesa do princípio constitucional do Estado
laico, a defesa dos direitos sexuais e dos direitos reprodutivos
para todas as pessoas e a defesa do direito à vida e à saúde para
todas as mulheres.
O Estado brasileiro tem o dever e a responsabilidade de garantir
às mulheres que precisam recorrer ao aborto que possam fazê-lo em
condições adequadas à preservação da sua saúde e de sua vida. O
SUS, sendo Sistema Público de Saúde, deve assegurar o acesso
universal a estes direitos para todas as mulheres de todas as
classes sociais.
Consideramos de grande importância a posição do Exmo Sr.
Presidente da República de que o aborto deve ser uma questão que o
Estado brasileiro não pode desconhecer. Nesta ocasião, expressamos
o nosso apoio à postura do Ministro da Saúde, que tem manifestado
o compromisso com uma sociedade democrática e com a defesa da
cidadania das mulheres, reconhecendo como um dever do Estado
brasileiro a garantia do direito das mulheres a uma vida com saúde.
Reiteramos também nossa confiança e expectativa na atuação correta
e eficiente da equipe da Secretaria de Atenção à Saúde do
Ministério da Saúde, em especial a Área Técnica de Saúde da Mulher,
que tem colocado os muitos anos de experiência em saúde pública em
função do aprimoramento do SUS e dos direitos das mulheres. A
ampliação da oferta e da qualidade dos serviços que garantam os
direitos reprodutivos da população é uma necessidade urgente.
Reafirmamos ainda nossa solidariedade com todas as mulheres que
viveram ou estão vivendo a situação de aborto clandestino,
principalmente com as mulheres pobres, que o fazem em condições
precárias, com riscos à saúde e à própria vida. É importante que a
sociedade brasileira reconheça a capacidade das mulheres de se
confrontarem com a ordem patriarcal, que insiste, a qualquer preço,
na criminalização desta prática. Negar às mulheres o direito ao
aborto, tratando-o como crime, é negar a elas o direito de pensar
e de existir como sujeitos responsáveis.
Uma sociedade verdadeiramente democrática precisa estar
estruturada em princípios de justiça social e da laicidade do
Estado. Garanti-los é um dever de todos e de todas nós.
Articulação de Mulheres Brasileiras
Secretaria Nacional sobre a Mulher Trabalhadora da CUT
Associação Brasileira de ONGS – ABONG
Rede Brasileira de Integração dos Povos – REBRIP
Jornadas Brasileiras pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro
Marcha Mundial das Mulheres
Rede Nacional Feminista de Saúde – REF
Católicas pelo Direito de Decidir
Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais - Nordeste
Setorial de Mulheres da Central de Movimentos Populares
Rede Jovem Brasil dos Direitos Sexuais e dos Direitos Reprodutivos
Movimento de Adolescentes do Brasil - MAB
Rede de Homens pela Eqüidade de Gênero – RHEG
Campanha Brasileira do Laço Branco – Homens pelo fim da Violência
contra as Mulheres
Associação Brasileira de Redutores de Danos – ABORDA
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