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3º Programa Nacional de Direitos Humanos

Rede Feminista de Saúde apóia a decisão do Governo de incluir entre suas prioridades a descriminalização do aborto

O presidente Lula da Silva lançou ontem (21/12), o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos que, em 121 páginas, traz temas consensuais na sociedade e alguns pontos controversos, entre eles a interrupção da gravidez que já foi mencionada na edição anterior do programa. Na versão atual do documento, está clara a recomendação do Governo Federal para que o Legislativo modifique o Código Penal de forma a garantir a descriminalização do aborto. O 3º Programa Nacional de Direitos Humanos é coordenado pela Secretaria de Direitos Humanos e foi elaborado com o apoio de mais 30 ministérios. Sobre esta decisão, a Rede Feminista de Saúde manifesta sua posição de apoio ao Governo Federal que poderá ser conferida no texto abaixo:

A Rede Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos saúda, positivamente, a decisão do Governo Federal de incluir entre as prioridades do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, entre os temas controversos, a descriminalização do aborto. Para a Rede, que apóia a descriminalização do aborto e sua legalização como um direito que cabe às mulheres decidir, este é um compromisso do Estado Brasileiro frente aos acordos internacionais dos quais é signatário e uma medida para efetivamente reduzir a mortalidade materna no Brasil.

A prática do aborto só não é punida em dois casos no Brasil, o que não impede as mulheres de realizá-los em condições inseguras. Em decorrência, os abortos feitos em baixas condições sanitárias e em clínicas clandestinas, constituem uma das mais importantes causas de mortes de mulheres no período gestacional. A Entidade, que durante todo o ano de 2009 vem priorizando a implementação dos marcos internacionais de direitos das mulheres, como o Programa de Ação da Conferência de População e Desenvolvimento do Cairo (1994) e a Plataforma de Ação da Conferência Mundial da Mulher, de Beijing (1995), considera que o Governo ouviu as pressões do movimento de mulheres.

A Rede Feminista de Saúde, juntamente com as Jornadas Brasileiras pelo Aborto Legal e Seguro, a Frente pelo Fim da Criminalização das Mulheres e Legalização do Aborto e a Campanha 28 de Setembro pela Despenalização do Aborto na América Latina e no Caribe, mantém-se na defesa da iniciativa do Governo para enviar anteprojeto ao Legislativo e pela sua atuação com vistas à aprovação. Recebe, entretanto, de forma positiva, a recomendação para que o Legislativo modifique o Código Penal de forma a garantir a "descriminalização do aborto". Mantém a denúncia da crescente criminalização das mulheres, simbolizada pela continuidade dos processos para penalizar as mulheres de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Reitera, ainda, a importância de manter laicas as estruturas do Estado, respeitando o direito individual de profissão de fé, sem influência sobre as políticas públicas, repudiando as iniciativas com vistas a mudanças legais em nível municipal contrariando os princípios republicanos no Brasil.Em relação aos outros temas, como a união de pessoas do mesmo sexo, a Rede Feminista de Saúde manifesta seu integral apoio, constituindo parte dos direitos sexuais e diretos reprodutivos de todas as pessoas. Por fim, defende a garantia de políticas públicas, acessíveis e de qualidade para os casos já previstos em lei, como a violência sexual e risco de vida da gestante.


Vera Daisy Barcellos - Jorn.Prof. Reg. 3.804
Assessoria de Imprensa da Rede Feminista de Saúde