|
Ligad@s na Rede
Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos
Reprodutivos
Compromissos do Ministério da Saúde no 28 de maio:
Dia internacional de Luta pela Saúde da Mulher e
Dia Nacional de Redução da Morte Materna
Prezad@s Companheir@s,
As lutas dos movimentos feminista e de mulheres passam a ter mais
instrumentos para exigir
que as mulheres tenham atenção integral à saúde e que vidas não
sejam interrompidas
precocemente em nosso país. O governo brasileiro, no dia 28 de maio
de 2003, adota medidas
importantes para garantir o direito das mulheres à saúde e à vida.
A Área Técnica de Saúde da
Mulher do Ministério da Saúde, coordenada por Maria José de
Oliveira Araújo, foi considerada
pelo ministro Humberto Costa setor prioritário e com as medidas
adotadas poderá cumprir seu
papel com maior propriedade.
O ministro da Saúde, Humberto Costa, assinou duas portarias como
parte da estratégia para
redução da mortalidade materna no Brasil. A primeira delas, torna
obrigatória a notificação de
óbitos de mulheres em idade fértil para investigação dos fatores
determinantes, assim como,
para a adoção de medidas que possam evitar novas mortes maternas. A
segunda portaria trata
da Comissão Nacional de Mortalidade Materna que vai oferecer
subsídios para o
aperfeiçoamento da política nacional de redução da mortalidade
materna, estabelecendo
correlações com os comitês estaduais, regionais e municipais. O
objetivo é contribuir para a
garantia do direito das mulheres brasileiras à saúde e reduzir a
taxa de mortalidade materna.
É considerado óbito materno aquele sofrido por uma mulher durante a
gestação ou até 42 dias
após o término da mesma. A mortalidade materna é considerada uma
grave violação dos direitos
humanos, por ser evitável em 92% dos casos. O coeficiente da morte
materna no Brasil não
fornece a real dimensão do problema. No entanto, os dados oficiais
para as capitais brasileiras
são alarmantes. No ano de 2001, a razão de mortalidade materna das
capitais foi de 74,5 óbitos
maternos por 100 mil nascidos vivos. Em países desenvolvidos, esta
razão oscila de 6 a 20
óbitos por 100 mil nascidos vivos. As principais causas são a
hipertensão arterial, hemorragias,
infecção puerperal (pós-parto) e aborto, todas evitáveis.
Os óbitos maternos geralmente estão relacionados à falta de acesso
aos serviços de saúde de
boa qualidade, principalmente nas áreas rurais, às condições
sociais e econômicas
desfavoráveis, à baixa escolaridade e renda familiar; e ao
desemprego.
O uso inadequado de métodos anticoncepcionais e o número
insuficiente de serviços para o
atendimento da mulher vítima de violência têm levado à ocorrência
de grande número de
gestações indesejadas, à realização de abortos clandestinos e à
recorrência de gravidez de alto
risco em mulheres que não deveriam engravidar, predispondo ao óbito
materno. O despreparo
dos profissionais de saúde, a falta de humanização e serviços com
condições precárias também
contribuem para essa grave ocorrência. Como resultado das condições
sociais das mulheres e
da assistência de baixa qualidade, no pré-natal, parto, aborto,
puerpério e ao planejamento
familiar, anualmente, registram-se milhares de óbitos maternos.
Ações
O Ministério da Saúde estabelece como meta a redução em 25% da
razão de mortalidade
materna das capitais para os próximos quatro anos. Para alcançá-la,
implementará as seguintes
linhas de ação que devem ser desenvolvidas contemplando questões
relacionadas às relações
de gênero, de raça/etnia e da inserção das mulheres no meio urbano
e rural:
v implantação de Comitês de Morte Materna em todos os Estados,
capitais e municípios com
população superior a 100 mil habitantes;
v tornar o óbito materno evento de notificação compulsória;
v promover pesquisa para estabelecer fatores de correção da razão
de morte materna para o
Brasil e regiões;
v priorizar nas ações dos Programas de Saúde da Família e Agentes
Comunitários de Saúde
ações de prevenção e redução da mortalidade materna;
v Apoiar Secretarias de Saúde dos estados, municípios das capitais
e com população superior
a 100 mil habitantes na elaboração e execução de planos de ação
para redução da morte
materna que contemplem a organização de sistemas de referência e
contra-referência e a
aquisição de meios de transportes exclusivos para as gestantes;
v determinar a manutenção dos incentivos financeiros para ampliar a
qualificar as ações de
pré-natal e do parto (Programa de Humanização no Pré-Natal e
nascimento - PHPN). Incentivo
Financeiro: R$ 10,00 pelo cadastramento da gestante até o 4.º mês,
R$ 40,00 pelo pré-natal
completo (6 consultas de pré-natal + exames básicos + consulta de
puerpério) e R$ 40,00 pela
assistência ao parto;
v continuidade do processo de formação de enfermeiras obstetras,
capacitando mais 1.000
enfermeiras obstétricas no período;
v aumento do número de Autorização de Internação Hospitalar (AIH)
para laqueadura tubária
e vasectomia, nos casos definidos na lei federal de número
9.263/97;
v garantir a disponibilidade de métodos anticoncepcionais
reversíveis em todas as unidades
do PSF;
v treinamentos de 600 parteiras tradicionais nas regiões norte,
nordeste e centro-oeste;
v capacitação de doulas comunitárias para atuação em 50% das
capitais; e
v realização do V Fórum Nacional de Mortalidade Materna a ser
realizado no final de junho de
2003, com a participação de Comitês de Prevenção da Mortalidade
Materna dos Estados e dos
municípios, dos movimentos sociais, do CONASS, CONASEMS e OPS.
MEDIDAS GERAIS PARA A SAÚDE DAS MULHERES
Ações de prevenção e tratamento do câncer feminino
v Aumentar em 30% nos próximos 4 anos a cobertura de Papanicolau (
detecção precoce do
câncer de colo do útero) na população de risco (35 a 49 anos) que
pelos dados do Instituto
Nacional de Câncer de 2002, equivale a 16,2 % entre as mulheres
usuárias de SUS.
v Fortalecer os centros de referência de nível secundário nas
capitaiso do útero e de mama:
acesso a mamografia, colposcopia, ultra-sonografias e outros
exames.
v Apoiar os municípios com população acima de cem mil habitantes na
estruturação de redes
de referência e contra- referência para o tratamento de câncer de
colo de útero e de mama,
incluindo cirurgia e tratamentos de quimioterapia e radioterapia e
acesso a leitos em tempo
hábil.
v Cumprimento da Lei Federal que garante a cirurgia de reconstrução
mamária nas mulheres
que realizaram mastectomia.
Planejamento familiar
v Garantir a disponibilidade de métodos anticoncepcionais
reversíveis em toda unidade do
PSF.
v Ampliar o número de AIHs para esterilização tubária e vazectomia,
atendendo critérios da
Lei Federal n.º 9.263/97.
Violência sexual e doméstica
v Aumentar em 30% o número de serviços de saúde que atendem as
mulheres em situação
de violência. (incluir a contracepção de emergência e o aborto
previsto em Lei nos casos de
decisão da mulher).
v Realizar pesquisa sobre a situação dos serviços que atendem a
mulher em situação de
violência.
v Incluir o tema da violência doméstica nos processos de
capacitação instituídos pelo MS.
Saúde da mulher negra
v Monitorar a inclusão do quesito cor nas pesquisas realizadas pelo
MS, conforme determina
a resolução 196 do CNS/Normas e Ética em pesquisa;
v Determinar a inclusão do quesito cor nos sistemas de informação e
nos documentos do
SUS;
v Determinar a contratação de uma representante do movimento negro,
para assessorar a
inclusão das questões relacionadas à população negra nas ações de
saúde da mulher;
v Estimular e apoiar a implantação, em todos os estados da
federação, da política de
atenção à anemia falciforme do MS que prevê: diagnóstico,
tratamento, atenção às questões
éticas, dando ênfase as especificidades das mulheres falcêmicas na
idade fértil e no ciclo
gravídico-puerperal.
Saúde da mulher trabalhadora
v Realizar pesquisa para avaliação das condições de riscos no
trabalho da mulher no campo,
objetivando a implementação de políticas específicas para essa
população.
Saúde da mulher no climatério
v Elaboração da Norma Técnica para subsidiar a atenção à saúde das
mulheres no climatério;
v Criação de uma Câmara Técnica Intersetorial para assessorar a
formulação da política
nacional das mulheres no climatério;
v Mapeamento de experiência exitosas (governamentais e não
governamentais) na atenção à
saúde das mulheres no climatério.
Evento
v Realização do Seminário Internacional de Políticas Públicas para
as Mulheres na Área da
Saúde: Experiências Latino- Americanas. Este seminário tem como
objetivo a troca de
experiência entre os programas de saúde da mulher dos Ministérios
de Saúde da América Latina
e Caribe de língua espanhola e o seu fortalecimento, bem como a
formação de um espaço formal
para intercâmbio dos gestores e planejadores. Participarão
coordenadores/as de áreas de saúde
da mulher dos Ministérios e das Secretarias de Saúde das capitais,
parlamentares, movimentos
sociais e agências das Nações Unidas. A parceria governamental será
a Secretaria Especial de
Políticas para as Mulheres. Conta com o apoio de US$ 110 mil da
Organização Panamericana da
Saúde, Fundo das nações Unidas para a Mulher (UNIFEM ), Fundo de
População das Nações
Unidas (FNUAP), Fundação Ford e a International Women´s Health
Coalition, ONG americana
ligada ao partido democrata. Contará com a presença de 80
participantes.
|