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Ligad@sna Rede
Rede Nacional Feminista de Saúde,
Direitos Sexuais e Direitos
Reprodutivos
16.06.03
O que você pode fazer para ser solidári@ com a feminista Conceição
Amorim
Presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e do
Centro de Defesa dos Direitos Humanos padre Josimo (Imperatriz, no
Maranhão)
Prezad@s Companheir@s,
Conceição Amorim está sendo processada
por defender os direitos da mulher
A presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de
Imperatriz (MA), Conceição Amorim, está sendo processada pela
juíza Maria José de Souza Roma, da Comarca de Imperatriz, por
crime de calúnia, injúria e difamação, por ter ousado discordar de
uma sentença dada pela mesma em um caso, publicamente reconhecido
como de estupro, mas que o julgamento considerou ser o crime
apenas de “lesões corporais”, a despeito de todas as evidências
registradas, inclusive em vídeo, em prontuários médicos.
Conceição Amorim, compreensivelmente, revoltada com a sentença,
denunciou o que considerava uma omissão da Justiça – a
tipificação, pela Justiça, de um estupro, que é um crime hediondo
pela lei brasileira, como “lesão corporal”! Conceição Amorim,
cujahistória de vida é marcada pela dedicação aos direitos
humanos, com destaque para os direitos da mulher, é uma pessoa
respeitada e reconhecida em âmbito nacional. O processo em curso
contra ela visa “calar a boca” de quem não se omite cada vez que
uma mulher é violentada. Solicitamos um pouco mais do seu tempo
para entender a história que deu origem ao processo contra
Conceição Amorim.
A denúncia e a impunidade de um estupro
que abalou a população
O processo contra Conceição Amorim decorre da denúncia, que
recebeu apoio explícito e ostensivo, do Conselho Nacional dos
Direitos da Mulher (CNDM), e acompanhamento do caso de estupro da
estudante Elielza Mendes da Silva por um rapaz, à época menor,
T.D.M.S, filho de família abastada da cidade de Imperatriz, dia 28
de janeiro de 2002. O caso foi a julgamento em 2003. O resultado,
para muita gente, se assemelha a um insulto à inteligência e ao
bom senso, pois um caso com amplas provas de estupro apareceu no
julgamento, e assim foi julgado, como de lesão corporal, embora
conste em depoimentos e em prontuários médicos que a vítima sofreu
seqüelas físicas de grande vulto, tendo passado por internação
hospitalar, cirurgias, inclusive colostomia, e acompanhamento
psicológico.
Quando a Justiça resiste em não querer
ver o óbvio
A juíza que conduziu o julgamento, Maria José de Souza Roma, mesmo
com todas as evidências da brutalidade à qual a jovem Elielza foi
submetida, atenuou a condição do estuprador, definindo que houve
apenas lesões corporais, sem configurar estupro. Conceição Amorim
discordou publicamente do resultado do julgamento e, por sua
coragem, está sendo processada pela juíza. Entidades locais e
nacionais, de mulheres e de direitos humanos, estão sendo
solicitadas à mobilização para impedir que mais uma injustiça seja
cometida contra uma mulher por defender direitos humanos e se
manifestar publicamente contra a violência de gênero, o machismo e
todas as mazelas da ideologia patriarcal, a exemplo da falta de
sensibilidade da Justiça de, em geral, fazer de conta que a
opressão de gênero não é um fato.
Seja solidári@!
Conceição Amorim precisa de nosso apoio e solidariedade nesse
momento difícil de enfrentamento com a Justiça. Manifeste a sua
solidariedade!
Para mais informações, acesse o site
www.solidariedadeconceicao.hpg.com.br
Lá encontrará o inteiro teor do “Caso Elielza Mendes da Silva”,
assim como uma proposta de carta para o juiz da Comarca de
Imperatriz, José dos Santos Costa, de solidariedade à Conceição,
contra a decisão de processá-la e de repúdio à violência praticada
contra a estudante Elielza. A proposta das entidades é de
arquivamento do processo contra Conceição Amorim.
Manifeste seu apoio também escrevendo para os seguintes e-mails:
h
Comarca de Imperatriz:
jeima@aeronet.com.br com cópia para
comulher@hotmail.com
Ligad@sna Rede é uma publicação da Rede Feminista de Saúde, sob a
responsabilidade da Coordenação de Comunicação, que chegará ao seu
e-mail sempre que a Secretaria Executiva considerar que um assunto
relevante exige mobilização especial.
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