Carta aberta em favor dos direitos sexuais e reprodutivos das
mulheres brasileiras
Grupos conservadores e fundamentalistas continuam a tratar como
criminosas as mulheres brasileiras que, por razões diversas,
precisam recorrer ao aborto. Desrespeitando princípios legais,
tentam impedir o acesso aos direitos sexuais e reprodutivos já
garantidos, como é o caso do planejamento familiar, da
contracepção de emergência, da prevenção de DST/Aids, dos
serviços de aborto legal.
Para se ter idéia das ações desses grupos, veja alguns projetos
apresentados no Congresso Nacional que retiram os direitos já
conquistados pelas mulheres.
Negam às vítimas de estupro o direito ao aborto seguro
PL 478/2007, dos deputados Luiz Bassuma (PT-BA) e Miguel Martini
(PHS-MG): tira o direito ao abortamento seguro, mesmo em caso de
estupro, e transforma-o em crime hediondo.
PL 489/2007, do deputado Odair Cunha (PT-MG): proíbe o aborto
inclusive em casos de estupro.
Nega o atendimento às vítimas de estupro nos hospitais de SUS
PDC 42/2007, do deputado Henrique Afonso (PT-AC): susta a norma
técnica de 1998 que instrui aos hospitais do Sistema Único de
Saúde (SUS) a praticarem aborto seguro em caso de gestações
decorrentes de estupro até o quinto mês.
Proíbe a comercialização da contracepção de emergência
PL 5376/2005, do deputado Carlos Nader (PL-RJ): proíbe a venda
do medicamento que ajuda a evitar a ocorrência de gestações
indesejadas e aplica multas em dinheiro a estabelecimentos que o
comercializarem.
Constrange as mulheres na hora de exercer seus direitos
PL 831/2007, do deputado Odair Cunha (PT-MG): determina a
criação, nos hospitais que prestam atendimento em aborto legal,
de programas para orientar mulheres sobre os efeitos e métodos
utilizados no procedimento, de forma a tentar dissuadi-las da
decisão de interromper a gravidez. Essas mulheres terão de ser
submetidas a filmes que demonstrem as formas utilizadas para a
retirada do feto humano e sua formação física, mês a mês,
causando-lhes mais um constrangimento. Tudo isso depois de
passarem por um estupro ou risco de morte.
Preocupado com a perda de direitos já conquistados pelas
brasileiras e com a falta de compromisso de parte dos
parlamentares com a saúde das mulheres, o Centro Feminista de
Estudos e Assessoria (CFEMEA), em parceria com as Jornadas pelo
Direito ao Aborto Legal e Seguro, convoca cidadãs e cidadãos,
além de representantes dos movimentos sociais de todo o país,
para assinarem a Carta Aberta em Favor dos Direitos Sexuais e
Reprodutivos das Mulheres Brasileiras.
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